Ontem eu estava mesmo chata. Tristinha, sem paciência, achando a espera infinita. Racionalmente, não tenho motivo - estou à espera de uma coisa nova, alegre, linda, desejada. Então me lembrei de uma poesia: Murilo Mendes, "Reflexão no. 1".
"Ninguém sonha duas vezes o mesmo sonho
Ninguém se banha duas vezes no mesmo rio
Nem ama duas vezes a mesma mulher.
Deus de onde tudo deriva
É a circulação e o movimento infinito.
Ainda não estamos habituados com o mundo
Nascer é muito comprido."
Aí eu entendi: quem está nascendo, ainda, sou eu.
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