Então agora eu trabalho:
Comemoro quando o trabalho dá certo:
E pronto. Agora eu posso brincar.

Cantando parabéns (ela fez isso muitas vezes por dia no último mês...)
Piscina de bolinhas











E até tentei tocar um pouquinho também






Minha querida,
Ter um filho é um acontecimento intenso, que nos preenche o corpo e a alma, que nos muda cabeça e as prioridades. Nos muda os olhos também: mamãe, que era extremamente observadora e apreciadora do mundo ao redor, agora não perde uma piscadinha sua.
Quando você caiu no meu colo pela primeira vez, no dia 20 de agosto de 2009, o amor era tanto, o medo era tanto, as dúvidas eram tantas, a dor era tanta, e a alegria era tanta, que eu nem podia imaginar que um dia chegaríamos aqui: você completou 1 aninho. 1 ano longo, de aprendizado intenso, para você e para mim. Parabéns, meu anjo. Que você sinta todos os dias da sua vida a mesma alegria que eu sinto por você existir. Mamãe repete para você todos os dias, e vou deixar aqui, por escrito: você é linda. Seu sorriso me encanta. Sua inteligência me assusta, e me enche de orgulho.
Quando te chamamos Ana Clara, meu desejo secreto, lá no fundo, era que, mais crescidinha, você se identificasse com Clara (nada contra Ana, nem o nome, nem as Anas da minha vida). Aí, um dia, no meio da brincadeira, você me olha e diz “Ana”. E eu chorei. Chorei porque com 11 meses você já sabe quem é e o que quer. E o que quer não é o que eu quero que seja. É o que você decidiu querer. Você não sabe o orgulho que sinto por isso, filha! Por você adorar hard rock, quando eu sou mais MPB. Por você gostar de piruetas, e de pular na cama, e se deixar cair no berço e gargalhar com isso, e por gostar de carinho forte, quando eu... ficaria enjoada na primeira cambalhota.
Te amo, filhinha. Te amo quando você toca uma nota ao violão, e olha pra mim pedindo aplauso. Te amo quando você ouve uma música, qualquer que seja, e começa a dançar. Por você cantar sem parar, para dormir e para acordar. Te amo por você gostar mais da propaganda do que do desenho. Por você dizer boa noite no início do Jornal Nacional todos os dias, no colo do papai. Por você comemorar quando consegue ficar de pé sozinha. Te amo quando você deita e fica fazendo denguinho, com o rostinho colado no chão ( ou nos pés do papai e da mamãe).
Te amo assim.
Ana.
Como é.
Enquanto ela fica dando cambalhotas na minha barriga, eu fico imaginando como ela vai ser, inventando milhões de detalhes, de roupinhas a brinquedinhos, só pra arrumar um jeito de dizer "vem, chega logo, que papai e mamãe não vêem a hora de te ter nos braços, e tá cheio de gente te esperando aqui fora!". Como é que se pode amar tanto alguém que nem se conhece ainda?